{"id":1303,"date":"2024-10-01T17:31:00","date_gmt":"2024-10-01T15:31:00","guid":{"rendered":"https:\/\/blogs.fu-berlin.de\/migration\/?p=1303"},"modified":"2024-10-04T11:58:27","modified_gmt":"2024-10-04T09:58:27","slug":"%ef%bf%bc-cidadania-fluida-e-transnacional-pensar-as-construcoes-de-identidades-nacionais-no-brasil-a-partir-de-autores-indigenas","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/blogs.fu-berlin.de\/migration\/2024\/10\/01\/%ef%bf%bc-cidadania-fluida-e-transnacional-pensar-as-construcoes-de-identidades-nacionais-no-brasil-a-partir-de-autores-indigenas\/","title":{"rendered":"\ufffc Cidadania fluida e transnacional: pensar as constru\u00e7\u00f5es de identidades nacionais no Brasil a partir de autores ind\u00edgenas.\u00a0"},"content":{"rendered":"\n<p>Desde de a d\u00e9cada de setenta, autores como Guillermo Bonfil Batalla consideram que o ind\u00edgena na America Latina estaria inserido em uma categoria social extraordin\u00e1ria, posto que mesmo depois do fim das col\u00f4nias, as comunidades continuaram sendo oprimidas e controladas politica e economicamente pelos Estado-na\u00e7\u00f5es que se formaram. Garz\u00f3n L\u00f3pez (2013) analisa estes autores e cunha o termo \u201e<em>categoria colonial<\/em>\u201c para debater a posi\u00e7\u00e3o amb\u00edgua que povos ind\u00edgenas tem nas sociedades contempor\u00e2neas, visto que est\u00e3o inseridos ainda dentro de estruturas coloniais, especialmente sob uma \u00f3tica epistemol\u00f3gica. Estes conceito est\u00e1 agregado \u00e0 tradi\u00e7\u00e3o de estudos decoloniais, em grande parte representada por An\u00edbal Quijano e Walter Mignolo.<\/p>\n\n\n\n<p>Segundo a id\u00e9ia de <em>categoria colonial<\/em>, grupos ind\u00edgenas s\u00e3o percebidos e se movimentam juridicamente (tutelados pelo estado) em esp\u00e9cies de ilhas dentro de estados-na\u00e7\u00f5es, com o mesmo funcionamento estrutural e institucional que finalmente os sujeita \u00e0 viol\u00eancia colonial mesmo ap\u00f3s o fim oficial das col\u00f4nias. Ainda que muitos pa\u00edses latino americanos tenham transformado suas constitui\u00e7\u00f5es em documentos que atestam plurina\u00e7\u00f5es, o que est\u00e1 juridicamente garantido nao \u00e9 uma realidade no cotidiano e muitas garantias b\u00e1sicas tem que ser disputadas em todos os \u00e2mbitos. Al\u00e9m disso, as maneiras de exercer danos morais e emocionais e opress\u00f5es epistemol\u00f3gicas se transformam ao longo dos s\u00e9culos, mas n\u00e3o cessam. Essa domina\u00e7\u00e3o \u00e9 praticada de maneira cont\u00ednua em situa\u00e7\u00f5es onde corpos s\u00e3o racializados e estigmatizados na America Latina, como no caso dos descendentes de escravizados africanos. No caso ind\u00edgena, partindo do princ\u00edpio de que em algumas regi\u00f5es, para determinados grupos, malhas comunit\u00e1rias fortes e pr\u00e1ticas ancestrais se mantiveram, enquanto em outras, as comunidades est\u00e3o bastante inseridas e assimiladas \u00e0s sociedades ocidentais, n\u00e3o se pode homogeneizar ou nivelar conceitos e experiencias. Qualquer estudo (especialmente aqueles direcionados a pol\u00edticas p\u00fablicas) precisaria partir de an\u00e1lises das rela\u00e7\u00f5es sociais, econ\u00f4micas e hist\u00f3ricas de forma regional, especifica e qualitativa, e este artigo n\u00e3o pretende abarcar as complexidades e fric\u00e7\u00f5es de um estudo de caso. A proposta aqui \u00e9 apresentar de maneira abrangente a quest\u00e3o dessa situa\u00e7\u00e3o no Brasil, para investigar experiencias de sujeitos ind\u00edgenas como experiencias transnacionais, baseada em depoimentos de alguns escritores com essa viv\u00eancia.<\/p>\n\n\n\n<p>Sujeito ind\u00edgena transnacional?&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<p>Um grande campo de estudo para a antropologia atualmente s\u00e3o processos migrat\u00f3rios e o tipo de rela\u00e7\u00f5es humanas e pol\u00edticas que os mesmos desencadeiam. As interliga\u00e7\u00f5es com este tema t\u00e3o pungente na contemporaneidade s\u00e3o muitas e m\u00faltiplas, e v\u00e1rias disciplinas tem interesse em pesquisar as conex\u00f5es transnacionais sob \u00f3ticas diversas, como por exemplo a economia ou o&nbsp; direito. Dentro das ci\u00eancias sociais o estudo de processos migrat\u00f3rios j\u00e1 passou por diversos momentos desde seu in\u00edcio em torno de 1930\/ 1940, onde mudou de foco de interesse, perspectiva&nbsp; e de conceitua\u00e7\u00e3o metodol\u00f3gica ao longo das d\u00e9cadas. O artigo \u201e<em>Antropolog\u00eda de la frontera, la migraci\u00f3n y los procesos transnacionales\u201c<\/em> de Everardo Gardu\u00f1o (2003) traz um panorama da antropologia transnacional e como esta vertente hoje coloca em quest\u00e3o categorias de an\u00e1lise passadas, exercitando um <em>\u201eradical cuestionamiento de los tradicionales enfoques binarios de la antropolog\u00eda y de sus categor\u00edas de an\u00e1lisis territorialmente restringidas.\u201c<\/em> Como consequ\u00eancia deste questionamento, revisa-se a pr\u00f3pria no\u00e7\u00e3o de fronteira e como ela se d\u00e1, fazendo com que as fronteiras passem a ser categorizadas como r\u00edgidas ou porosas, mais tarde como literal e aliteral&nbsp; ou fronteira centro e perif\u00e9rica ou no\u00e7\u00e3o de <em>comunidades transnacionais<\/em>. (Gardu\u00f1o 2003).&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<p>A situa\u00e7\u00e3o social de ind\u00edgenas no Brasil pode tamb\u00e9m ser analisado sobre essa \u00f3tica da comunidade transnacional a que Gardu\u00f1o (2003) se refere ao citar Kearney (1991:68), pois apesar de n\u00e3o existir uma fronteira nacional pol\u00edtica entre grupos ind\u00edgenas e n\u00e3o ind\u00edgenas, existem muitas marca\u00e7\u00f5es que s\u00e3o verdadeiros contratos sociais. Apesar de serem de natureza fluida e muitas vezes irreconhec\u00edveis a primeira vista para um olhar n\u00e3o treinado, existem fronteiras que se fazem identificar de imediato para quem est\u00e1 envolvido nestas rela\u00e7\u00f5es cotidianamente. O corpo ind\u00edgena \u00e9 racializado e tratado como um estranho fora de suas comunidades e essa percep\u00e7\u00e3o de si molda tamb\u00e9m o car\u00e1ter social e pol\u00edtico daquele que est\u00e1 sendo alterizado, for\u00e7ando-o a ver-se tamb\u00e9m ele como estranho ou estrangeiro, apesar de encontrar-se em seu territ\u00f3rio de origem.&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<p>Em uma entrevista, o fil\u00f3sofo e escritor (ind\u00edgena brasileiro da etnia Krenak) Ailton Krenak afirma ser um \u201e<em>refugiado dentro do pr\u00f3prio territ\u00f3rio<\/em>\u201c . Essa contradi\u00e7\u00e3o parece ser compartilhada entre a maioria dos escritores ind\u00edgenas, talvez por ser a literatura ind\u00edgena, entre outras coisas, uma ferramenta de tradu\u00e7\u00e3o e den\u00fancia. \u201e<em>Brasil, o que fa\u00e7o com a minha cara de \u00edndia<\/em>?\u201c pergunta Eliane Potiguara ao pa\u00eds em sua poesia \u201e<em>Brasil<\/em>\u201c, revelando que aqui o interlocutor (o pr\u00f3prio pa\u00eds) representa o contr\u00e1rio de uma p\u00e1tria acolhedora ou uma id\u00e9ia de pertencimento. J\u00e1 o autor Daniel Munduruku aponta em entrevista   que \u201e<em>Ser brasileiro significava abandonar o \u201cser munduruku\u201d para \u201cser brasileiro\u201d . Eram duas coisas que se digladiavam, porque n\u00e3o cabiam duas identidades em uma mesma pessoa<\/em>\u201c(2023). Essa experiencia da&nbsp; dupla cidadania \u00e9 uma constru\u00e7\u00e3o violenta de exclus\u00e3o e que tem lastro na realidade dos povos ind\u00edgenas contempor\u00e2neos. Para serem tolerados como cidad\u00e3os, foi necess\u00e1rio abdicarem de suas cosmologias, tradi\u00e7\u00f5es, saberes e de prefer\u00eancia, acima de tudo, de suas terras. Muitas vezes o territ\u00f3rio que resta \u00e9 um que se d\u00e1 no \u00e2mbito da mem\u00f3ria: \u201e<em>A gente n\u00e3o tem uma cartografia para se deslocar, definindo que o lugar de onde a gente resiste \u00e9 um lugar fundado na nossa mem\u00f3ria<\/em>.\u201c As discuss\u00f5es sobre o que significa nacionalidade, como ela \u00e9 constru\u00edda e atua no sujeito s\u00e3o reflex\u00f5es que tamb\u00e9m permeiam esta discuss\u00e3o, mas extrapolariam este artigo.&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<p>Daniel Munduruku e outres autores ind\u00edgenas como Trudu\u00e1 Dorrico apontam tamb\u00e9m a import\u00e2ncia da escrita e da literatura como local de resist\u00eancia coletiva, ao lidarem com ferramentas e t\u00e9cnicas ocidentais para preserva\u00e7\u00e3o de seus saberes ancestrais. Ao transcrever e traduzir narrativas orais para o papel, a literatura se torna simbolicamente um territ\u00f3rio (re)conquistado dentro de um espa\u00e7o predominantemente branco, onde se exercita a resili\u00eancia e a den\u00fancia, mas tamb\u00e9m a constru\u00e7\u00e3o de indiv\u00edduo. Dorrico acredita que a autoria \u201e<em>atua na emancipa\u00e7\u00e3o do ind\u00edgena enquanto sujeito,<\/em> <em>tensionando o regime simb\u00f3lico do pa\u00eds, que silencia suas vozes e reserva \u00e0s culturas ind\u00edgenas um papel e um lugar marginais<\/em>\u201c (Dorrico 2018: 228) ao mesmo tempo que atua para desconstruir pre-concep\u00e7\u00f5es sobre seus povos na sociedade n\u00e3o-ind\u00edgena e construir pontes de di\u00e1logo intercultural, inter\u00e9tnico, transnacional.&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<p>Um hipot\u00e9tico sujeito ind\u00edgena tem muitas facetas e exerce fun\u00e7\u00f5es sociais diversas quando est\u00e1 atuando na transnacionalidade. Quando aldeiado, ele \u00e9 um agente dentro da sua comunidade, portanto sujeito \u00e0s regras e leis desta, ao mesmo tempo que \u00e9 um cidad\u00e3o perante os tribunais do pa\u00eds onde se encontra registrado oficialmente. Carrega dois nomes, ou mais, um que consta no documento oficial e outro(s) nome ind\u00edgena falados em seus idioma e por seu grupo. Fora de sua aldeia \u00e9 considerado pela sociedade n\u00e3o ind\u00edgena como um bloco monol\u00edtico que representa todos os povos origin\u00e1rios. A complexidade desse posicionamento faz com que a viv\u00eancia ind\u00edgena tenha especificidades incompar\u00e1veis, e que qualquer an\u00e1lise sobre migra\u00e7\u00e3o precise levar em conta n\u00e3o somente processos de deslocamento migrat\u00f3rios internos ou externos, mas tamb\u00e9m as rela\u00e7\u00f5es conturbadas de povos ind\u00edgenas os Estados &#8211; na\u00e7\u00f5es. Identificar pontualmente quais as intersec\u00e7\u00f5es prov\u00e1veis dos posicionamentos sociais, pol\u00edticos e econ\u00f4micos de comunidades ind\u00edgenas e abarcar nos debates as posi\u00e7\u00f5es liminares destes indiv\u00edduos s\u00e3o pr\u00e1ticas importantes na cria\u00e7\u00e3o de pol\u00edticas p\u00fablicas, especialmente na fomenta\u00e7\u00e3o de projetos pedag\u00f3gicos e culturais que entendam a alteridade como um projeto de pa\u00eds a ser encorajado.&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<p>Bibliografia&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<p>Quijano, An\u00edbal 2005: <em>Colonialidade do poder, eurocentrismo e Am\u00e9rica Latina<\/em>. LANDER, Edgardo (org). A colonialidade do saber: eurocentrismo e ci\u00eancias sociais. Perspectivas latinoamericanas. CLACSO, Buenos Aires, Argentina.<\/p>\n\n\n\n<p>Garz\u00f3n L\u00f3pez, Pedro 2013: <em>Pueblos ind\u00edgenas y decolonialidad. Sobre la colonizaci\u00f3n epistemol\u00f3gica occidental<\/em>. Andamios. Revista de Investigaci\u00f3n Social, vol. 10, n\u00fam. 22, mayo- agosto, 2013, pp. 305-331 Universidad Aut\u00f3noma de la Ciudad de M\u00e9xico Distrito Federal, M\u00e9xico&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<p><a href=\"https:\/\/www.scielo.org.mx\/scielo.php?script=sci_arttext&amp;pid=S1870-00632013000200016\">https:\/\/www.scielo.org.mx\/scielo.php?script=sci_arttext&amp;pid=S1870-00632013000200016<\/a><\/p>\n\n\n\n<p>Krenak, Ailton 2010: Entrevista com o l\u00edder ind\u00edgena Ailton Krenak realizada para a publica\u00e7\u00e3o educativa da 34\u00aa bienalhttps:\/\/bienal.org.br\/entrevista-com-o-lider-indigena-ailton-krenak-realizada-para-a-publicacao-educativa-da-34a-bienal\/<\/p>\n\n\n\n<p>Munduruku, Daniel 2023: <a href=\"https:\/\/www.ihu.unisinos.br\/categorias\/159-entrevistas\/618239-lutamos-para-que-o-brasil-nos-perceba-como-nunca-nos-percebeu-como-parte-da-sua-memoria-da-sua-historia-da-sua-identidade-entrevista-especial-com-daniel-munduruku\">https:\/\/www.ihu.unisinos.br\/categorias\/159-entrevistas\/618239-lutamos-para-que-o-brasil-nos-perceba-como-nunca-nos-percebeu-como-parte-da-sua-memoria-da-sua-historia-da-sua-identidade-entrevista-especial-com-daniel-munduruku<\/a><\/p>\n\n\n\n<p>Potiguara, Eliane 2018: <em>Metade Cara, Metade M\u00e1scara<\/em>. Grumin Edicoes. Rio de Janeiro.&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<p>Baniwa, Gersom 2006: \u201eO \u00cdndio Brasileiro: o que voce precisa saber sobre os povos ind\u00edgenas no Brasil de hoje\u201c. S\u00e9rie via dos Saberes nr. 1, Cole\u00e7\u00e3o Educa\u00e7\u00e3o para Todos. Edi\u00e7\u00e3o MEC\/ UNESCO.<\/p>\n\n\n\n<p>Gardu\u00f1o , Everardo&nbsp; 20023: \u201e<em>Antropolog\u00eda de la frontera, la migraci\u00f3n y los procesos transnacionales\u201c <\/em>Frontera Norte, vol. 15, N\u00fam. 30, Julio &#8211; Diciembre de 20023<\/p>\n\n\n\n<p>Kearney, Michael 1991: \u201eBorders and Boundaries of State and Self at the End of Empire\u201d, Journal of Historical Sociology, vol. 4, n\u00fam.1, 1991, pp. 52-74.<\/p>\n\n\n\n<p>MAGGIE, Yvonne; REZENDE, Claudia Barcellos (Org.). Ra\u00e7a como ret\u00f3rica: a constru\u00e7\u00e3o da diferen\u00e7a. Rio de Janeiro: Civiliza\u00e7\u00e3o Brasileira, 2001. 460 p.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Desde de a d\u00e9cada de setenta, autores como Guillermo Bonfil Batalla consideram que o ind\u00edgena na America Latina estaria inserido em uma categoria social extraordin\u00e1ria, posto que mesmo depois do fim das col\u00f4nias, as comunidades continuaram sendo oprimidas e controladas politica e economicamente pelos Estado-na\u00e7\u00f5es que se formaram. 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