{"id":1334,"date":"2024-10-21T20:04:27","date_gmt":"2024-10-21T18:04:27","guid":{"rendered":"https:\/\/blogs.fu-berlin.de\/migration\/?p=1334"},"modified":"2024-10-21T20:04:27","modified_gmt":"2024-10-21T18:04:27","slug":"producao-de-espacos-e-formacao-de-espacialidades-praticas-socioespaciais-em-contextos-migratorios","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/blogs.fu-berlin.de\/migration\/2024\/10\/21\/producao-de-espacos-e-formacao-de-espacialidades-praticas-socioespaciais-em-contextos-migratorios\/","title":{"rendered":"Produ\u00e7\u00e3o de espa\u00e7os e forma\u00e7\u00e3o de espacialidades: pr\u00e1ticas (socio)espaciais em contextos migrat\u00f3rios"},"content":{"rendered":"\n<p>A no\u00e7\u00e3o de espa\u00e7o participa, junto com a no\u00e7\u00e3o de tempo, de\u00a0nossas formas primordiais de orienta\u00e7\u00e3o no mundo f\u00edsico e de organiza\u00e7\u00e3o social da percep\u00e7\u00e3o sens\u00edvel da realidade observada e experienciada.\u00a0Por ser t\u00e3o genu\u00edna da exist\u00eancia humana, a categoria espa\u00e7o traz consigo uma esp\u00e9cie de auto-evid\u00eancia, uma obviedade em seu sentido, e ao mesmo tempo, por isso, uma indetermina\u00e7\u00e3o substancial. N\u00e3o \u00e9 f\u00e1cil definir o que \u00e9\u00a0<em>espa\u00e7o<\/em>.\u00a0O espa\u00e7o \u00e9, entretanto, objeto de aprecia\u00e7\u00e3o, e tamb\u00e9m objetivo,\u00a0dentro de\u00a0distintos campos disciplinares,\u00a0como a\u00a0F\u00edsica,\u00a0a Filosofia,\u00a0a\u00a0Geografia,\u00a0a Sociologia, a\u00a0Antropologia, a\u00a0Arquitetura \u2013 apenas para citar alguns \u2013,\u00a0nos quais\u00a0ele\u00a0pode ser\u00a0pensado,\u00a0observado, apreendido, mapeado,\u00a0significado, concebido, enfim,\u00a0quando envolvido,\u00a0e\u00a0de forma relacional,\u00a0em um \u00e2mbito,\u00a0ou em um recorte,\u00a0de refer\u00eancias.<\/p>\n\n\n\n<p>Este artigo\u00a0se dedica a perpassar por algumas concep\u00e7\u00f5es de\u00a0<em>espa\u00e7o<\/em>\u00a0no \u00e2mbito dos estudos antropol\u00f3gicos e etnogr\u00e1ficos,\u00a0em especial os que versam\u00a0sobre migra\u00e7\u00e3o,\u00a0tendo em vista contribui\u00e7\u00f5es\u00a0investigativas dessa \u00e1rea nas quais\u00a0a\u00a0categoria espa\u00e7o\u00a0adquiri import\u00e2ncia consistente em um recorte de an\u00e1lise\u00a0para a abordagem e compreens\u00e3o dos processos migrat\u00f3rios<sup><strong>1<\/strong><\/sup>.\u00a0Desse modo, o\u00a0artigo\u00a0recorre a\u00a0tr\u00eas investiga\u00e7\u00f5es\u00a0etnogr\u00e1ficas\u00a0em que\u00a0o espa\u00e7o \u00e9 trazido ao centro da perspectiva investigativa, analisado e conceituado em \u2013\u00a0e atrav\u00e9s de \u2013\u00a0um contexto espec\u00edfico, n\u00e3o como um dado da realidade emp\u00edrica, uma exist\u00eancia inerte\u00a0e uma categoria autoevidente,\u00a0ou mera presen\u00e7a f\u00edsica e material diante da qual perpassam fluxos migrat\u00f3rios e rela\u00e7\u00f5es e intera\u00e7\u00f5es sociais acontecem, mas sim como part\u00edcipe e constitutivo de din\u00e2micas complexas e muitas vezes conflitivas que revelam,\u00a0nas escalas e nuances\u00a0de\u00a0rela\u00e7\u00f5es experimentadas, vivenciadas\u00a0e estabelecidas\u00a0por diferentes agentes e atores\u00a0sociais,\u00a0tamb\u00e9m suas dimens\u00f5es\u00a0enquanto\u00a0pr\u00e1ticas\u00a0produtoras de espa\u00e7os.\u00a0Nessas perspectivas, o espa\u00e7o \u00e9\u00a0observado em rela\u00e7\u00e3o\u00a0\u00e0s praticas sociais que o constituem e lhe s\u00e3o constitutivas,\u00a0como\u00a0uma categoria\u00a0(inter)relacional\u00a0e processual,\u00a0ao mesmo tempo produto, produtor e reprodutor de pr\u00e1ticas sociais que\u00a0o (re)configuram\u00a0materialmente e lhe atribuem sentidos.\u00a0Sobretudo,\u00a0o espa\u00e7o \u00e9 entendido como\u00a0uma constru\u00e7\u00e3o\u00a0social nas suas dimens\u00f5es f\u00edsica\u00a0(territorial e material)\u00a0e simb\u00f3lica. <\/p>\n\n\n\n<p><\/p>\n\n\n\n<p class=\"has-text-align-center\">I.<\/p>\n\n\n\n<p>As antrop\u00f3logas\u00a0Soledad \u00c1lvarez Velasco e Valentina Glockner Fagetti\u00a0(2018)\u00a0se valem do conceito de\u00a0\u201cespa\u00e7o abstrato\u201d,\u00a0formulado pelo fil\u00f3sofo e soci\u00f3logo franc\u00eas Henri Lefebvre\u00a0(1974;\u00a01991)<strong><sup>2<\/sup><\/strong>,\u00a0para pensar,\u00a0no \u00e2mbito dos estudos sobre migra\u00e7\u00e3o, substancialmente os sujeitos em movimento como produtores do espa\u00e7o. Em estudo\u00a0a\u00a0respeito da mobilidade transnacional de crian\u00e7as e adolescentes,\u00a0as autoras buscam meios de apreens\u00e3o e compreens\u00e3o dos\u00a0efeitos\u00a0dessa mobilidade\u00a0na configura\u00e7\u00e3o e reconfigura\u00e7\u00e3o espacial do que chamam de \u201c<em>corredor migratorio\u00a0extendido<\/em>\u201d<sup><strong>3<\/strong><\/sup>,compreendido geograficamente\u00a0e\u00a0como um percurso desde a\u00a0Regi\u00e3o Andina,\u00a0passando pela Am\u00e9rica Central e pelo M\u00e9xico\u00a0at\u00e9 os Estados Unidos.\u00a0<\/p>\n\n\n\n<p>O&nbsp;designado \u201c<em>corredor migrat<\/em><em>o<\/em><em>rio&nbsp;<\/em><em>e<\/em><em>x<\/em><em>tendido<\/em>\u201d&nbsp;constitui&nbsp;em suas&nbsp;dimens\u00f5es&nbsp;territorial&nbsp;e social&nbsp;conceitualmente&nbsp;um \u201c<em><strong>espa<\/strong><\/em><em><strong>cio<\/strong><\/em><em><strong>&nbsp;geogr\u00e1fico transnacional<\/strong><\/em>\u201d.&nbsp;Isto significa, em um primeiro momento, um espa\u00e7o&nbsp;que ultrapassa ou excede limites e fronteiras de Estados nacionais,&nbsp;mas&nbsp;n\u00e3o apenas territorialmente. O car\u00e1ter transnacional diz respeito tamb\u00e9m \u00e0s pr\u00e1ticas&nbsp;humanas&nbsp;que historicamente&nbsp;produziram e produzem&nbsp;esse espa\u00e7o, que&nbsp;o&nbsp;configuraram e&nbsp;o&nbsp;(re)configuram continuamente. Tais pr\u00e1ticas s\u00e3o fundamentalmente os movimentos migrat\u00f3rios internos e internacionais.&nbsp;Junto com eles, ou paralelamente&nbsp;a eles, esse espa\u00e7o tamb\u00e9m se configura&nbsp;e se reconfigura&nbsp;pela movimenta\u00e7\u00e3o de mercadorias, de bens e&nbsp;de&nbsp;capital.<\/p>\n\n\n\n<p>A\u00a0produ\u00e7\u00e3o\u00a0desse \u201c<em>espacio\u00a0geogr\u00e1fico\u00a0transnaciona<\/em>l\u201d,\u00a0o\u00a0\u201c<em>corredor migratorio\u00a0extendido<\/em>\u201d,\u00a0\u00e9 compreendida historicamente\u00a0e abordada na atualidade da pesquisa como\u00a0\u201c<em>un\u00a0proceso transnacional\u00a0y\u00a0multiescalar de movilidad\u00a0y\u00a0de construcci\u00f3n social\u00a0del\u00a0espacio<\/em>\u201d. \u00c9\u00a0uma\u00a0produ\u00e7\u00e3o\u00a0que\u00a0incorpora outras dimens\u00f5es, igualmente espaciais, de extens\u00f5es, propor\u00e7\u00f5es e qualidades distintas \u2013 por isso o termo \u201cmultiescalar\u201d \u2013, as quais compreendem os n\u00edveis e \u00e2mbitos do global, do regional, do local, do familiar, do bairro, da vida cotidiana, e alcan\u00e7a as\u00a0dimens\u00f5es do corpo e do subjetivo\u00a0(Velasco; Fagetti, 2018,\u00a0p. 54).\u00a0S\u00e3o dimens\u00f5es, ou espa\u00e7os, que se interrelacionam,\u00a0interagem e\u00a0se afetam mutuamente, consequentemente se produzem\u00a0e\u00a0se transformam\u00a0por interm\u00e9dio dessas\u00a0rela\u00e7\u00f5es.\u00a0Esse complexo espacial multidimensional e\u00a0inter-relacional,\u00a0contemplado como\u00a0din\u00e2micas sociais e s\u00f3cio-espaciais,\u00a0isto \u00e9, conjunto aos agentes e atores que o produzem na gama das rela\u00e7\u00f5es que entretecem entre si e com o espa\u00e7o,\u00a0\u00e9 o que fundamenta\u00a0sua aproxima\u00e7\u00e3o com\u00a0a categoria anal\u00edtica de \u201cespa\u00e7o abstrato\u201d proposta por Henri Lefebvre (1974;\u00a01991).\u00a0E o que fundamenta igualmente a relev\u00e2ncia da concep\u00e7\u00e3o de sua exist\u00eancia\u00a0enquanto realidade f\u00edsica, material, que \u00e9 produto e simultaneamente produtora das\u00a0pr\u00e1ticas sociais\u00a0que lhe s\u00e3o\u00a0constitutivas.\u00a0Para as autoras da pesquisa, inscrever\u00a0a exist\u00eancia desse \u201ccorredor migrat\u00f3rio estendido\u201d e pens\u00e1-lo como um \u201cespa\u00e7o abstrato\u201d, portanto, significa\u00a0uma possibilidade de compreender uma realidade\u00a0material e social\u00a0que excede\u00a0os sentidos de uma\u00a0representa\u00e7\u00e3o geogr\u00e1fica\u00a0para tornar vis\u00edvel\u00a0um espa\u00e7o\u00a0que \u00e9, sobretudo, constructo de rela\u00e7\u00f5es sociais e de poder,\u00a0no qual diversas formas de mobilidade \u2013 de pessoas, de bens etc. \u2013 \u00e9 o fator determinante (Velasco; Fagetti, 2018,\u00a0p. 54).\u00a0No conjunto dessas rela\u00e7\u00f5es sociais e de poder, o \u201cespa\u00e7o abstrato\u201d, examinado no \u00e2mbito dos movimentos migrat\u00f3rios, compreende tanto as din\u00e2micas\u00a0locais e globais de opress\u00e3o, de viol\u00eancia e de desigualdade, quanto\u00a0pr\u00e1ticas ou din\u00e2micas\u00a0de contesta\u00e7\u00e3o e de resist\u00eancia que emergem como respostas\u00a0(Velasco; Fagetti, 2018,\u00a0p. 55)\u00a0e que interatuam\u00a0na configura\u00e7\u00e3o e reconfigura\u00e7\u00e3o do espa\u00e7o, na realidade e na realiza\u00e7\u00e3o desse \u201c<em>corredor migratorio\u00a0extendido<\/em>\u201d.<br><\/p>\n\n\n\n<p class=\"has-text-align-center\">II.<\/p>\n\n\n\n<p>De uma compreens\u00e3o semelhante a respeito do espa\u00e7o parte tamb\u00e9m a abordagem e a anal\u00edtica&nbsp;propostas por Bruno Miranda,&nbsp;Jana Sosa Gundelach e Daniela Rodr\u00edguez&nbsp;(2023)&nbsp;em&nbsp;estudo&nbsp;a respeito do tr\u00e2nsito e da&nbsp;presen\u00e7a de migrantes africanos e asi\u00e1ticos na cidade&nbsp;de&nbsp;Tapachula,&nbsp;localizada&nbsp;na regi\u00e3o da fronteira&nbsp;sul do&nbsp;Estado mexicano, e&nbsp;a&nbsp;concep\u00e7\u00e3o&nbsp;contextual e situacional da\u00ed decorrente de&nbsp;\u201c<em><strong>espacio<\/strong><\/em><em><strong>&nbsp;fronte<\/strong><\/em><em><strong>rizo<\/strong><\/em><em><strong>&nbsp;de espera<\/strong><\/em>\u201d,&nbsp;bem como, mais abrangente, de \u201c<em><strong>espacios<\/strong><\/em><em><strong>&nbsp;de espera<\/strong><\/em>\u201d.<\/p>\n\n\n\n<p>Os(as) pesquisadores(as) entendem a categoria espa\u00e7o\u00a0como \u201c<em>una\u00a0entidad relacional<\/em>\u201d, que \u00e9 \u201c<em>producida\u00a0y\u00a0reproducida a trav\u00e9s de pr\u00e1cticas, representaciones\u00a0y\u00a0vivencias<\/em>\u201d<sup><strong>4<\/strong><\/sup>.\u00a0Novamente, o\u00a0espa\u00e7o n\u00e3o \u00e9 aqui uma categoria\u00a0inerte e\u00a0autoevidente.\u00a0O espa\u00e7o que se observa\u00a0aqui \u00e9\u00a0ao mesmo tempo\u00a0\u201c<em>producto\u00a0y\u00a0soporte de las relaciones\u00a0sociales<\/em>\u201d,\u00a0as quais s\u00e3o,\u00a0por sua vez\u00a0e\u00a0inevitavelmente, \u201c<em>atravesadas por\u00a0jerarqu\u00edas, inclusiones y\u00a0exclusiones<\/em>\u201d (Miranda et al., 2023, p. 150).<\/p>\n\n\n\n<p>No contexto migrat\u00f3rio\u00a0em que a pesquisa se envolve, os\u00a0\u201c<em>espacios<\/em><em>\u00a0de espera<\/em>\u201d\u00a0correspondem a\u00a0conforma\u00e7\u00f5es socioespaciais constitutivas e part\u00edcipes do que os(as) autores(as) identificam como um processo de \u201c<em>remodela<\/em><em>ci\u00f3n <\/em><em>socioespacial d<\/em><em>el<\/em><em>\u00a0territ<\/em><em>o<\/em><em>rio mexicano<\/em>\u201d,\u00a0incidente sobretudo nas suas regi\u00f5es fronteiri\u00e7as norte e sul,\u00a0e\u00a0que colabora\u00a0a lan\u00e7ar uma\u00a0perspectiva sobre essas regi\u00f5es \u201c<em>m\u00e1s all\u00e1<\/em><em>\u00a0de s<\/em><em>u<\/em><em>\u00a0uso como espa<\/em><em>cio<\/em><em>\u00a0de tr\u00e1nsito centroamericano<\/em>\u201d\u00a0em dire\u00e7\u00e3o, justamente, \u201c<em>hacia la<\/em><em>\u00a0produ<\/em><em>cci\u00f3n<\/em><em>\u00a0de n<\/em><em>ue<\/em><em>vas categor\u00edas de espa<\/em><em>cio<\/em><em>\u00a0social<\/em>\u201d (Miranda et al., 2023,\u00a0p. 145).\u00a0Os \u201c<em>espacios<\/em><em>\u00a0de espera<\/em>\u201d, como uma dessas novas categorias,\u00a0s\u00e3o\u00a0pensados\u00a0relacionados com as\u00a0din\u00e2micas socioespaciais singulares das regi\u00f5es de fronteira, sobretudo,\u00a0se \u00e9 poss\u00edvel assim dizer, com as\u00a0pr\u00e1ticas de produ\u00e7\u00e3o de fronteiras\u00a0desempenhadas\u00a0prioritariamente\u00a0por agentes estatais e num \u00e2mbito burocr\u00e1tico \u2013\u00a0na forma de mecanismos de controle e conten\u00e7\u00e3o migrat\u00f3rios \u2013, mas que repercutem espacialmente.<\/p>\n\n\n\n<p>Desse modo,\u00a0pela investiga\u00e7\u00e3o etnogr\u00e1fica na cidade da Tapachula,\u00a0os(as)\u00a0autores(as)\u00a0concebem primeiramente a exist\u00eancia do que designam \u201c<em>espacio<\/em><em>\u00a0fronte<\/em><em>rizo<\/em><em>\u00a0de espera<\/em>\u201d.\u00a0Um espa\u00e7o mape\u00e1vel, \u201c<em>produ<\/em><em>c<\/em><em>to<\/em>\u201d \u2013 assim definem \u2013 \u201c<em>d<\/em><em>e las <\/em><em>pr\u00e1<\/em><em>c<\/em><em>ticas de poder soberano d<\/em><em>el<\/em><em>\u00a0Estado\u00a0<\/em><em>y<\/em><em>\u00a0d<\/em><em>e los<\/em><em>\u00a0a<\/em><em>c<\/em><em>tores loca<\/em><em>les<\/em><em>\u00a0<\/em><em>y<\/em><em>\u00a0globa<\/em><em>les<\/em><em>\u00a0d<\/em><em>e la<\/em><em>\u00a0go<\/em><em>b<\/em><em>ernan<\/em><em>z<\/em><em>a migrat<\/em><em>o<\/em><em>ria<\/em>\u201d,\u00a0nos quais as rela\u00e7\u00f5es de poder, por conseguinte\u00a0rela\u00e7\u00f5es de\u00a0hierarquia\u00a0lhe s\u00e3o constitutivas (Miranda et al., 2023,\u00a0p. 163).\u00a0A\u00a0fim de \u201c<em>ralentizar y\u00a0<\/em><em>disuadir\u00a0<\/em><em>el<\/em><em>\u00a0tr\u00e1nsito migrat<\/em><em>o<\/em><em>rio<\/em>\u201d (Miranda et al., 2023,\u00a0p. 145),\u00a0esses agentes ou atores lan\u00e7am m\u00e3o\u00a0de formas de conten\u00e7\u00e3o\u00a0e disciplinamento\u00a0n\u00e3o apenas espaciais,\u00a0como\u00a0tamb\u00e9m temporais. \u00c9\u00a0esse aspecto espa\u00e7o-temporal o que justamente fundamenta a raz\u00e3o dos \u201c<em>espacios<\/em><em>\u00a0de espera<\/em>\u201d.<\/p>\n\n\n\n<p>A\u00a0concep\u00e7\u00e3o de \u201c<em>espacios\u00a0de espera<\/em>\u201d\u00a0no contexto migrat\u00f3rio\u00a0implica diretamente a\u00a0experi\u00eancia dos sujeitos em movimento, a experi\u00eancia\u00a0existencial\u00a0do tr\u00e2nsito,\u00a0e compreende\u00a0a\u00a0mobilidade\u00a0como pr\u00e1tica n\u00e3o dissoci\u00e1vel de condi\u00e7\u00f5es de imobilidade \u2013\u00a0entendidas como\u00a0\u201c<em>todas\u00a0las paradas<\/em>\u201d ou \u201c<em>interrupciones\u00a0voluntarias e involuntarias<\/em>\u201d\u00a0no tr\u00e2nsito migrat\u00f3rio (Miranda et al., 2023,\u00a0p. 149).\u00a0A espera, nessas condi\u00e7\u00f5es, \u00e9 considerada \u2013 e se mostra \u2013 uma pr\u00e1tica ativa,\u00a0social e individual,\u00a0de gest\u00e3o do tempo, que\u00a0ademais\u00a0repercute espacialmente.\u00a0Esses \u201c<em>espacios\u00a0de espera<\/em>\u201d s\u00e3o assim condicionantes e tamb\u00e9m motores\u00a0de \u201c<em>diversas\u00a0formas\u00a0y\u00a0manifestaciones\u00a0de agencia\u00a0y\u00a0politizaci\u00f3n<\/em>\u201d\u00a0(Miranda et al., 2023,\u00a0p. 151), consequentemente\u00a0do\u00a0desenvolvimento de\u00a0pr\u00e1ticas socioespaciais\u00a0dos sujeitos\u00a0e grupos sociais\u00a0em tr\u00e2nsito,\u00a0ou em espera,\u00a0que\u00a0em\u00a0suas (i)mobilidades\u00a0interagem\u00a0e\u00a0transformam espa\u00e7os e lugares\u00a0frequentados\u00a0nas localidades de passagem\u00a0ou de perman\u00eancia\u00a0mais ou menos provis\u00f3rias.\u00a0Tratam-se de pr\u00e1ticas\u00a0relacionais de\u00a0apropria\u00e7\u00e3o, de significa\u00e7\u00e3o e ressignifica\u00e7\u00e3o de lugares, que os configuram e reconfiguram continuamente;\u00a0e\u00a0de\u00a0pr\u00e1ticas,\u00a0pode-se compreender, produtoras de espacialidades,\u00a0ou seja, pr\u00e1ticas que pressup\u00f5em demarca\u00e7\u00f5es de car\u00e1ter espacial\u00a0mais ou menos manifestas e mais ou menos provis\u00f3rias\u00a0a partir da mobiliza\u00e7\u00e3o, por parte de indiv\u00edduos e grupos \u00e9tnicos,\u00a0do que os(as) autores(as) chamam de \u201c<em>marcadores sociales\u00a0de diferencia<\/em>\u201d,\u00a0que orientam as intera\u00e7\u00f5es e conformam a din\u00e2mica da conviv\u00eancia na partilha\u00a0desse\u00a0\u201c<em>espacio\u00a0de espera<\/em>\u201d.<br><\/p>\n\n\n\n<p class=\"has-text-align-center\">III.<\/p>\n\n\n\n<p>Ambas as pesquisas at\u00e9 aqui abordadas\u00a0podem ser compreendidas\u00a0no campo dos estudos sobre migra\u00e7\u00e3o transnacional.\u00a0Elas\u00a0incorporam\u00a0impl\u00edcita ou explicitamente,\u00a0em algumas das\u00a0correspondentes\u00a0descri\u00e7\u00f5es das pr\u00e1ticas\u00a0socioespaciais envolvidas no tr\u00e2nsito migrat\u00f3rio e,\u00a0consequentemente, na\u00a0produ\u00e7\u00e3o de espa\u00e7os,\u00a0a forma\u00e7\u00e3o dos chamados\u00a0\u201cespa\u00e7os sociais transnacionais\u201d.\u00a0A categoria de\u00a0<strong>espa\u00e7o social transnacional<\/strong>\u00a0se refere \u00e0s dimens\u00f5es das rela\u00e7\u00f5es sociais\u00a0e intera\u00e7\u00f5es\u00a0das pessoas migrantes entre seus pa\u00edses de origem e de destino,\u00a0s\u00e3o rela\u00e7\u00f5es estendidas que\u00a0vinculam localidades implicadas no tr\u00e2nsito migrat\u00f3rio e\u00a0constituem um conjunto de pr\u00e1ticas relacionais que se conformam alheias a fronteiras territoriais ou para al\u00e9m delas.\u00a0Essas pr\u00e1ticas compreendem, por exemplo, a manuten\u00e7\u00e3o de v\u00ednculos sociais e afetivos da origem juntamente \u00e0 constru\u00e7\u00e3o de novos no destino, bem como a circula\u00e7\u00e3o de objetos, bens, mercadorias, informa\u00e7\u00f5es.<\/p>\n\n\n\n<p>O \u00faltimo\u00a0estudo que gostaria de trazer\u00a0neste artigo\u00a0complexifica a pr\u00e1tica dos \u201cespa\u00e7os sociais transnacionais\u201d ao desdobr\u00e1-la\u00a0pelas vias das emo\u00e7\u00f5es associadas aos lugares implicados no tr\u00e2nsito migrat\u00f3rio.\u00a0O antrop\u00f3logo\u00a0Shinji Hirai (2015) sugere\u00a0um enfoque\u00a0etnogr\u00e1fico\u00a0nas maneiras como\u00a0os sujeitos\u00a0praticam esses v\u00ednculos transnacionais\u00a0a fim de explorar, com profundidade, \u201c<em>el\u00a0horizonte\u00a0donde\u00a0el\u00a0sujeto\u00a0de\u00a0estudio\u00a0percibe, experimenta e interpreta\u00a0la realidad social<\/em>\u201d no processo migrat\u00f3rio (Hirai, 2015,\u00a0p. 95).\u00a0Emo\u00e7\u00f5es manifestas como \u201cdesejo de progresso\u201d, \u201cmedo\u201d, \u201cnostalgia\u201d, \u201cincerteza\u201d\u00a0e\u00a0\u201csolid\u00e3o\u201d,\u00a0por exemplo,\u00a0lan\u00e7am\u00a0luz a\u00a0tais\u00a0experi\u00eancias e percep\u00e7\u00f5es subjetivas.\u00a0Por meio de uma \u201c<em>etnograf\u00eda multilocal<\/em>\u201d\u00a0realizada na cidade emissora de Jalostotitl\u00e1n, em Jalisco-M\u00e9xico, e em outras localidades na Calif\u00f3rnia \u2013 EUA, Hirai investiga os sentidos da nostalgia e do\u00a0<em>terru\u00f1o<\/em><strong><sup>5<\/sup><\/strong>\u00a0a partir das representa\u00e7\u00f5es sobre a terra natal. Essas representa\u00e7\u00f5es constituem simboliza\u00e7\u00f5es que se deixam ver e ler materializadas na linguagem \u2013 em relatos, letras de m\u00fasica, poesias \u2013 e na produ\u00e7\u00e3o e cole\u00e7\u00e3o\u00a0de imagens e\u00a0objetos.\u00a0Assim, seguindo os s\u00edmbolos do\u00a0<em>terru\u00f1o<\/em>, como se prop\u00f5e a investiga\u00e7\u00e3o, o antrop\u00f3logo\u00a0relaciona essas representa\u00e7\u00f5es\u00a0sobre a\u00a0localidade de origem\u00a0em\u00a0uma anal\u00edtica que\u00a0a compreende e a\u00a0distingue\u00a0em\u00a0tr\u00eas n\u00edveis, ou em tr\u00eas modalidades, de pr\u00e1ticas espaciais sobre o\u00a0<em>terru\u00f1o<\/em>.<\/p>\n\n\n\n<p>Utilizando\u00a0as esferas da produ\u00e7\u00e3o do espa\u00e7o\u00a0propostas por Henri Lefebvre\u00a0(1974; 1991),\u00a0as\u00a0de \u201cespa\u00e7o experimentado\u201d, \u201cespa\u00e7o percebido\u201d\u00a0e \u201cespa\u00e7o imaginado\u201d,\u00a0e\u00a0tamb\u00e9m\u00a0contribui\u00e7\u00f5es te\u00f3rico-conceituais do\u00a0ge\u00f3grafo David Harvey\u00a0(1989; 2004)<sup><strong>6<\/strong><\/sup>,\u00a0Hirai\u00a0(2015, p. 100)\u00a0prop\u00f5e\u00a0as exist\u00eancias do \u201c<em><strong>terru\u00f1o<\/strong><\/em><strong>\u00a0<\/strong><em><strong>como espacio\u00a0f\u00edsico<\/strong><\/em>\u201d, do\u00a0\u201c<em><strong>terru\u00f1o<\/strong><\/em><strong>\u00a0<\/strong><em><strong>simb\u00f3lico<\/strong><\/em>\u201d\u00a0e do \u201c<em><strong>terru\u00f1o<\/strong><\/em><strong>\u00a0<\/strong><em><strong>imaginario<\/strong><\/em>\u201d.\u00a0Trata-se\u00a0de \u201c<em>tres\u00a0niveles\u00a0de terru\u00f1o<\/em>\u201d que conformam, juntos e de maneira inter-relacional, as percep\u00e7\u00f5es e rela\u00e7\u00f5es que as pessoas migrantes mant\u00eam e simultaneamente constr\u00f3em com o lugar. \u00c9\u00a0um modelo anal\u00edtico\u00a0de rela\u00e7\u00f5es que\u00a0envolvem\u00a0o imagin\u00e1rio, a mem\u00f3ria\u00a0e\u00a0a imagina\u00e7\u00e3o, e o espa\u00e7o f\u00edsico existente.\u00a0O interessante desse modelo \u00e9\u00a0a possibilidade de observar\u00a0como essas esferas,\u00a0ou n\u00edveis,\u00a0se comunicam, se inter-relacionam e se afetam mutuamente.<\/p>\n\n\n\n<p>O \u201c<em>terru\u00f1o<\/em>\u00a0<em>como espa<\/em><em>cio<\/em><em>\u00a0f\u00edsico<\/em>\u201d diz respeito ao\u00a0<em>terru\u00f1o<\/em>\u00a0como lugar existente, materialidade f\u00edsica localizada geograficamente.\u00a0Tamb\u00e9m\u00a0significa\u00a0o espa\u00e7o que as pessoas migrantes vivenciaram,\u00a0realizaram suas pr\u00e1ticas materiais\u00a0e do qual se lembram. Hirai\u00a0(2015,\u00a0p. 103)\u00a0pontua que\u00a0\u201c<em>l<\/em><em>as experi<\/em><em>e<\/em><em>ncias\u00a0<\/em><em>y las<\/em><em>\u00a0observa<\/em><em>ciones<\/em>\u201d que\u00a0tiveram e t\u00eam os indiv\u00edduos migrantes desse espa\u00e7o\u00a0s\u00e3o\u00a0o que \u201c<em>nutre<\/em><em>n<\/em><em>\u00a0<\/em><em>l<\/em><em>as mem<\/em><em>o<\/em><em>rias<\/em><em>\u00a0<\/em><em>y la<\/em><em>\u00a0imagina<\/em><em>ci\u00f3n<\/em><em>\u00a0sobre\u00a0<\/em><em>ese<\/em><em>\u00a0lugar<\/em>\u201d.\u00a0Justamente de tais mem\u00f3rias e da imagina\u00e7\u00e3o decorre a constru\u00e7\u00e3o do \u201c<em>terru\u00f1o<\/em>\u00a0<em>imagin<\/em><em>ar<\/em><em>io<\/em>\u201d como \u201c<em>la\u00a0<\/em><em>image<\/em><em>n<\/em><em>\u00a0mental d<\/em><em>el<\/em><em>\u00a0lugar de orige<\/em><em>n<\/em>\u201d, na qual as pessoas migrantes mobilizam os dados lacunares de suas mem\u00f3rias e os complementam com a imagina\u00e7\u00e3o.\u00a0Seria uma imagem, por isso, dificilmente coincidente com a atualidade do\u00a0<em>terru\u00f1o<\/em>\u00a0f\u00edsico\u00a0(Hirai, 2015,\u00a0p. 101). O \u201c<em>terru\u00f1o <\/em><em>simb\u00f3lico<\/em>\u201d,\u00a0por sua vez,\u00a0compreende as formas\u00a0de representa\u00e7\u00e3o do \u201c<em>terru\u00f1o<\/em>\u00a0<em>imagin<\/em><em>ar<\/em><em>io<\/em>\u201d,\u00a0em que a imagem mental se torna vis\u00edvel ou leg\u00edvel, comunic\u00e1vel, enfim, num processo de simboliza\u00e7\u00e3o ou materializa\u00e7\u00e3o (Hirai, 2015,\u00a0p. 102).<\/p>\n\n\n\n<p>Nos modos como esses n\u00edveis se afetam\u00a0mutuamente,\u00a0o sentido da nostalgia perpassa pelas distintas pr\u00e1ticas e se torna apreens\u00edvel como uma emo\u00e7\u00e3o associada ao lugar de origem. De acordo com Hirai\u00a0(2015, p. 103), a nostalgia \u00e9 um estado an\u00edmico que colabora exemplarmente para que as experi\u00eancias que os indiv\u00edduos tiveram no passado com esse lugar sejam lembradas e imaginadas como\u00a0elementos que contrastam com a sua vida presente,\u00a0o que concorre exemplarmente para a constru\u00e7\u00e3o do \u201c<em>terru\u00f1o<\/em>\u00a0<em>imaginario<\/em>\u201d. Assim como\u00a0tamb\u00e9m\u00a0\u201c<em>las\u00a0representaciones\u00a0pueden influir en la\u00a0construcci\u00f3n del<\/em>\u00a0<em>terru\u00f1o imaginario\u201d<\/em>, na medida em podem afetar, enquanto imagens, as percep\u00e7\u00f5es de uma dada realidade (Hirai, 2015,\u00a0p. 102).\u00a0O\u00a0\u201c<em>terru\u00f1o<\/em>\u00a0<em>imaginario<\/em>\u201d,\u00a0por seu lado,\u00a0pode repercutir enquanto pr\u00e1ticas materiais sobre o lugar existente, reconfigurando o pr\u00f3prio espa\u00e7o f\u00edsico \u2013 o que constitui, para Hirai (2015, p.103), \u201c<em>la m\u00e1s\u00a0notable\u00a0de las\u00a0relaciones\u00a0entre estos\u00a0tres\u00a0niveles\u00a0de terru\u00f1o<\/em>\u201d. De acordo com o antrop\u00f3logo, o\u00a0&#8222;<em>terru\u00f1o<\/em>\u00a0<em>f\u00edsico<\/em>&#8220;\u00a0\u00e9 afetado atrav\u00e9s dos s\u00edmbolos que conformam o\u00a0&#8222;<em>terru\u00f1o imaginario<\/em>&#8222;, num processo em que \u201c<em>algunos espacios\u00a0f\u00edsicos pasan\u00a0por diferentes niveles\u00a0de representaci\u00f3n\u00a0y\u00a0se convierten\u00a0em un\u00a0conjunto de s\u00edmbolos\u00a0y\u00a0discursos aterrizados e \u2018incrustados\u2019\u00a0en los\u00a0lugares f\u00edsicos<\/em>\u201d, os quais, por sua vez,\u00a0organizam \u201c<em>las memorias,\u00a0la imaginaci\u00f3n\u00a0y\u00a0los sentimientos de los\u00a0individuos sobre ese lugar<\/em>\u201d, e acabam por construir, em vista disso, \u201c<em>un\u00a0imaginario colectivo dominante<\/em>\u201d\u00a0(Hirai, 2015,\u00a0p. 103).<\/p>\n\n\n\n<hr class=\"wp-block-separator has-alpha-channel-opacity is-style-dots\" \/>\n\n\n\n<p style=\"text-transform:capitalize\"><strong>Notas<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p class=\"has-small-font-size\"><strong>1<\/strong> N\u00e3o constitui esta escrita uma tentativa de abarcar de forma abrangente o conjunto conceitual relativo \u00e0 categoria espa\u00e7o\u00a0nos estudos sobre migra\u00e7\u00e3o, mas sim\u00a0uma tentativa de\u00a0elencar algumas concep\u00e7\u00f5es como uma contribui\u00e7\u00e3o de car\u00e1ter introdut\u00f3rio\u00a0a investiga\u00e7\u00f5es envolventes nesse campo do conhecimento.\u00a0Ela pode ser sugerida, no espa\u00e7o deste\u00a0<em>Blog<\/em>, como\u00a0uma esp\u00e9cie de\u00a0<em>index<\/em>, pass\u00edvel de ser continuamente complementado\u00a0e atualizado.<br><br><strong>2<\/strong> Em obra intitulada\u00a0<em>La production de l&#8217;Espace\u00a0<\/em>[A produ\u00e7\u00e3o do espa\u00e7o], publicada em 1974. A data seguinte se refere \u00e0 edi\u00e7\u00e3o e tradu\u00e7\u00e3o para a l\u00edngua inglesa consultada pelas autoras.\u00a0<br><br><strong>3<\/strong> Todos os conceitos e cita\u00e7\u00f5es diretas dos textos consultados e referenciados neste artigo (indicados entre aspas e em it\u00e1lico no corpo do texto) foram transcritos como nos escritos originais em espanhol.<br><br><strong>4<\/strong> \u00c9\u00a0uma compreens\u00e3o formulada a partir das contribui\u00e7\u00f5es\u00a0te\u00f3rico-conceituais de Henri Lefebvre,\u00a0na j\u00e1 mencionada obra\u00a0<em>La production de l&#8217;Espace<\/em>(1974;\u00a02013) e de Ib\u00e1n D\u00edaz Parra e Beltr\u00e1n Roca Mart\u00ednez,\u00a0em livro intitulado\u00a0<em>El espacio en la teor\u00eda social. Una mirada multidisciplinar<\/em>(2022),\u00a0segundo indicam os(a) autores(as) no artigo.<br><br><strong>5<\/strong> Compreende-se que\u00a0<em>terru\u00f1o<\/em>\u00a0se refere a um lugar de origem e\/ou de pertencimento, uma \u201cterra natal\u201d, como sugerido na sequ\u00eancia, mas que traz consigo ainda um sentimento de afeto quando evocado.<br><br><strong>6<\/strong> Em\u00a0<em>The Condition of Postmodernity. An Enquiry into the Origens of Cultural Change\u00a0<\/em>[Condi\u00e7\u00e3o p\u00f3s-moderna. Uma pesquisa sobre as origens da mudan\u00e7a cultural], publicada originalmente em 1989.\u00a0A data seguinte se refere \u00e0 edi\u00e7\u00e3o e tradu\u00e7\u00e3o para\u00a0o espanhol\u00a0consultada\u00a0pelo\u00a0autor. \u00a0<\/p>\n\n\n\n<hr class=\"wp-block-separator has-alpha-channel-opacity\" \/>\n\n\n\n<h1 class=\"has-medium-font-size wp-block-heading\">Refer\u00eancias<\/h1>\n\n\n\n<p>\u00c1lvarez Velasco, Soledad; Glockner Fagetti, Valentina (2018). \u201cNi\u00f1os, ni\u00f1as y adolescentes migrantes y productores del espacio. Una aproximaci\u00f3n a las din\u00e1micas del corredor migratorio extendido Regi\u00f3n Andina, Centroam\u00e9rica, M\u00e9xico y U.S.\u201d. EntreDiversidades. Revista de Ciencias Sociales y Humanidades,&nbsp;n. 11, p\u00e1gs. 37-70. ISSN: 2007-7602.&nbsp;Dispon\u00edvel em:&nbsp;&nbsp;https:\/\/www.redalyc.org\/articulo.oa?id=455959694002.&nbsp;Acesso em 26 maio 2024.&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<p>Hirai, Shinji (2015). \u201c\u2019\u00a1Sigue los s\u00edmbolos del terru\u00f1o!\u2019: etnograf\u00eda multilocal y migraci\u00f3n transnacional\u201d. In:&nbsp;Ariza, Marina; Velasco, Laura (Coords.). M\u00e9todos cualitativos y su aplicaci\u00f3n emp\u00edrica: por los caminos de la investigaci\u00f3n sobre migraci\u00f3n internacional. M\u00e9xico: UNAM-IIS; Colegio de la Frontera Norte; DGAPA, 2015,&nbsp;p\u00e1gs. 81-111.<\/p>\n\n\n\n<p>Miranda, Bruno; Gundelach, Jana S.; Rodr\u00edguez, Daniela (2023). \u201cDiferencia y espera: migrantes africanos y asi\u00e1ticos en Tapachula, frontera sur de M\u00e9xico\u201d. Diarios de Terru\u00f1o. Reflexiones sobre migraci\u00f3n y movilidad, n. 15, p\u00e1gs. 144-167. ISSN: 2448-6876.<\/p>\n\n\n\n<p><strong>Refer\u00eancias indicadas<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p>D\u00edaz Parra, Ib\u00e1n; Roca Mart\u00ednez, Beltr\u00e1n\u00a0(2022).\u00a0<em>El espacio en la teor\u00eda social. Una mirada multidisciplinar<\/em>.\u00a0Tirant Humanidades.<\/p>\n\n\n\n<p>Harvey, David&nbsp;(2004).&nbsp;<em>La condici\u00f3n de la posmodernidad: investigaci\u00f3n sobre los or\u00edgenes del cambio cultural.<\/em>&nbsp;Buenos Aires: Amorrortu.<\/p>\n\n\n\n<p>Lefebvre, Henri (2013).&nbsp;<em>La producci\u00f3n del espacio<\/em>.&nbsp;Introducci\u00f3n y traducci\u00f3n de Emilio Mart\u00ednez.&nbsp;Madrid:Capit\u00e1n Swing Libros.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>A no\u00e7\u00e3o de espa\u00e7o participa, junto com a no\u00e7\u00e3o de tempo, de\u00a0nossas formas primordiais de orienta\u00e7\u00e3o no mundo f\u00edsico e de organiza\u00e7\u00e3o social da percep\u00e7\u00e3o sens\u00edvel da realidade observada e experienciada.\u00a0Por ser t\u00e3o genu\u00edna da exist\u00eancia humana, a categoria espa\u00e7o traz consigo uma esp\u00e9cie de auto-evid\u00eancia, uma obviedade em seu sentido, e ao mesmo tempo, [&hellip;]<\/p>\n","protected":false},"author":8388,"featured_media":0,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"footnotes":""},"categories":[9,90479],"tags":[286441,286438,286440,286442,286439,90462],"class_list":["post-1334","post","type-post","status-publish","format-standard","hentry","category-allgemein","category-migration-nach-und-in-den-amerikas","tag-espacio","tag-espaco","tag-etnografia","tag-etnografia-2","tag-migracao","tag-migracion"],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/blogs.fu-berlin.de\/migration\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/1334","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/blogs.fu-berlin.de\/migration\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/blogs.fu-berlin.de\/migration\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/blogs.fu-berlin.de\/migration\/wp-json\/wp\/v2\/users\/8388"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/blogs.fu-berlin.de\/migration\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=1334"}],"version-history":[{"count":2,"href":"https:\/\/blogs.fu-berlin.de\/migration\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/1334\/revisions"}],"predecessor-version":[{"id":1336,"href":"https:\/\/blogs.fu-berlin.de\/migration\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/1334\/revisions\/1336"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/blogs.fu-berlin.de\/migration\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=1334"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/blogs.fu-berlin.de\/migration\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=1334"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/blogs.fu-berlin.de\/migration\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=1334"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}